Opinião
CPMI do INSS: 2025 revelou o escândalo, 2026 entregará justiça
Opinião
O ano de 2025 ficará marcado como um divisor de águas na história recente da Previdência Social brasileira. Foi nesse contexto que a CPMI do INSS, da qual sou autora, trouxe à tona um dos maiores esquemas de fraudes já registrados contra aposentados e pensionistas do país.
Falamos de desvios bilionários, de descontos indevidos, de associações fantasmas e de um sistema que, por anos, operou à sombra da fragilidade institucional e da ausência de fiscalização efetiva.
A CPMI cumpriu seu papel. Investigou, reuniu provas, ouviu vítimas, convocou responsáveis e expôs uma engrenagem criminosa que se aproveitou justamente de quem mais precisa da proteção do Estado: idosos, pessoas com deficiência e trabalhadores que contribuíram durante toda a vida.
Não se tratou de narrativa política, mas de fatos documentados, contratos simulados, autorizações fraudadas e conivência administrativa. Mas é preciso dizer com clareza: investigar é apenas o primeiro passo.
Entramos em 2026 com um desafio ainda maior. O desafio de transformar as conclusões da CPMI em responsabilização efetiva, punição exemplar e, sobretudo, mudanças estruturais que impeçam a repetição desses crimes. É aqui que o papel da oposição se torna ainda mais decisivo.
A oposição não pode, e não vai, permitir que o relatório da CPMI vire mais um documento esquecido nas gavetas do poder. Nosso compromisso é cobrar o encaminhamento das investigações aos órgãos competentes, acompanhar cada desdobramento no Ministério Público, nos tribunais e nos órgãos de controle, e pressionar esse desgoverno para que adote medidas concretas de proteção aos beneficiários do INSS.
Fraudes dessa magnitude não acontecem sem falhas graves de gestão, fiscalização e governança. Ignorá-las é compactuar com elas. Por isso, seguiremos exigindo transparência, auditorias permanentes, revisão dos convênios com entidades associativas e mecanismos tecnológicos que garantam consentimento real e informado dos beneficiários.
Mais do que um debate político, estamos falando de justiça social. Cada real desviado do INSS representa menos dignidade para quem depende da aposentadoria para comprar remédios, pagar contas básicas ou simplesmente sobreviver. Não há ideologia que justifique o silêncio diante disso.
Se 2025 foi o ano em que o Brasil conheceu a dimensão do problema, 2026 precisa ser o ano da resposta. A oposição estará vigilante, atuante e firme, porque proteger o dinheiro dos aposentados não é favor, é obrigação constitucional.
O Brasil não pode normalizar o roubo de quem trabalhou a vida inteira. E nós não vamos permitir que isso aconteça.
Opinião
Comunicação está entre o dizer e o compreender
*Por Catarina M. Theophilo
Em tempos em que tanto se fala sobre comunicação, é importante lembrar que ela é inerente ao ser humano. Comunicamos o tempo todo. Ainda assim, trata-se de um processo complexo que, quando mal conduzido, pode se tornar um instrumento perigoso.
Tudo comunica: o que é dito ou escrito, os gestos, a postura, as expressões faciais e até os silêncios. Quem comunica transmite informações, ideias e sentimentos. No entanto, quando não há consciência sobre esse processo, surgem ressentimentos e conflitos que poderiam ser evitados. Muitas vezes, sentimentos negativos são revestidos por palavras bonitas, o que gera incoerência entre o que se sente e o que se expressa.
A palavra comunicação deriva da ideia de “tornar comum”. Comunicar é compartilhar, criar um campo de afinidade, empatia e entendimento. Não basta falar ou escutar. A verdadeira comunicação acontece quando há encontro, quando duas ou mais pessoas conseguem, de fato, se compreender.
Quando a comunicação falha entre pessoas ou grupos, geralmente identificamos três barreiras principais: filtragem, ruído e bloqueio. A filtragem ocorre quando a mensagem é recebida apenas parcialmente. O ruído surge quando ela é distorcida ou mal interpretada. Já o bloqueio acontece quando a mensagem sequer é captada, interrompendo o processo comunicativo.
Há diversas razões para essas distorções. Nossas necessidades, crenças e experiências “colorem” aquilo que vemos e ouvimos. O problema surge quando idealizamos algumas pessoas e desvalorizamos outras. Dependendo de quem fala, a interpretação do receptor pode mudar completamente, transformando algo simples em um grande conflito.
Além disso, muitas vezes ouvimos apenas o que desejamos ouvir. Ignoramos mensagens que confrontam nossas convicções porque resistimos à mudança. Alterar hábitos, costumes e ideias pode parecer uma ameaça à nossa identidade, quando, na verdade, faz parte do nosso processo de crescimento.
Outro ponto relevante é o chamado problema semântico. A semântica, ciência dos significados, nos ensina que as palavras não têm o mesmo sentido para todas as pessoas. Uma mesma expressão pode evocar interpretações distintas, dependendo das experiências individuais.
As emoções também influenciam diretamente a comunicação. Quando estamos inseguros, aborrecidos ou receosos, tendemos a perceber as mensagens como mais ameaçadoras do que realmente são. Já quando nos sentimos seguros e em paz, nossa escuta se torna mais aberta e equilibrada.
Desenvolver uma comunicação eficaz exige prática e disposição. É fundamental checar se aquilo que dizemos foi realmente compreendido e confirmar se o que ouvimos corresponde ao que foi efetivamente dito. Embora esse processo possa parecer demorado, nada é mais valioso do que uma comunicação clara e autêntica.
Saber ouvir é uma habilidade preciosa, especialmente quando a mensagem recebida contraria nossas expectativas ou interesses. A empatia, por sua vez, deve ser cultivada ao longo de toda a vida. Colocar-se no lugar do outro e compreender o que ele sente e busca expressar é, sem dúvida, uma das maiores competências no processo de comunicação e na evolução humana.
Outro aspecto essencial é reconhecer o momento oportuno para transmitir uma mensagem. O timing pode determinar o sucesso ou o fracasso de uma conversa. As palavras precisam ser coerentes com as ações, simples, diretas e livres de redundância.
Diante dessas reflexões, torna-se evidente que a comunicação é muito mais abrangente e complexa do que imaginamos. Em tempos de inteligência artificial, tecnologias emergentes e excesso de informação, é urgente desacelerar e refletir: estamos realmente nos comunicando ou apenas trocando mensagens?
*Catarina M. Theophilo é psicóloga e terapeuta, com mais de 30 anos de experiência. Atua também com os Florais de Minas, integrando cuidado emocional e desenvolvimento humano em sua prática profissional.
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