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FGV registra deflação do IGP-M em 2025 e sinaliza menor pressão sobre o campo em 2026

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A Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) encerrou dezembro com variação negativa de 0,01%, resultado que levou o indicador a fechar 2025 com deflação acumulada de 1,05%. O desempenho marca uma mudança relevante em relação ao ano anterior, quando o índice havia registrado forte alta, e surpreendeu as projeções do mercado financeiro.

Ao longo de 2025, o comportamento do IGP-M refletiu um ambiente de menor pressão sobre custos, influenciado pela desaceleração da atividade econômica global e por um cenário de maior oferta de matérias-primas. A melhora das safras agrícolas e a acomodação dos preços de commodities contribuíram para reduzir os impactos no atacado, limitando o repasse ao longo das cadeias produtivas.

O movimento foi puxado principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do cálculo do IGP-M. Em dezembro, o IPA recuou 0,12%, revertendo a alta registrada no mês anterior, e acumulou queda de 3,35% no ano. Esse comportamento indica menor pressão nos custos de insumos agrícolas e industriais, fator decisivo para o fechamento do índice geral em território negativo.

Em sentido oposto, os componentes ligados ao consumo e à construção civil mantiveram trajetória de alta moderada. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% no indicador, avançou 0,24% em dezembro e fechou 2025 com alta de 4,08%, enquanto o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) encerrou o ano com elevação acumulada de 6,10%, refletindo reajustes em materiais e mão de obra.

O resultado reforça o descompasso entre o comportamento dos preços no atacado e aqueles percebidos pelo consumidor final. Apesar da deflação no índice geral, serviços e custos habitacionais seguiram pressionando a inflação ao longo do ano, ainda que em ritmo mais moderado do que em períodos anteriores.

Para 2026, o cenário de preços segue como um dos principais fatores de atenção. Mesmo com sinais de acomodação inflacionária, a taxa básica de juros permanece em 15% ao ano. A expectativa do mercado é que, mantida a trajetória de estabilidade, o próximo ano possa abrir espaço para ajustes graduais na política monetária, condicionados à evolução da atividade econômica e do ambiente fiscal.

SAIBA MAIS

O IGP-M é um índice de inflação calculado pela Fundação Getulio Vargas que acompanha a variação de preços ao longo de toda a cadeia econômica, desde as matérias-primas no atacado, passando pelos custos da construção civil, até os preços ao consumidor. Por isso, ele costuma reagir mais rapidamente às oscilações das commodities agrícolas, do câmbio e dos custos de insumos do que outros indicadores de inflação.

Quando o IGP-M registra deflação, como ocorreu no acumulado de 2025, isso significa que, em média, os preços medidos pelo índice caíram ao longo do ano. Para o agricultor, esse movimento tem efeitos mistos. Por um lado, a deflação no atacado tende a aliviar o custo de produção, reduzindo despesas com fertilizantes, defensivos, sementes e outros insumos, o que melhora as margens em um cenário de preços agrícolas pressionados.

Por outro, a deflação também pode indicar menor dinamismo da economia e preços mais baixos para as commodities, o que limita a rentabilidade na venda da produção. Em anos como 2025, o produtor se beneficia do alívio nos custos, mas precisa redobrar a atenção à gestão, ao fluxo de caixa e à comercialização, já que a receita nem sempre acompanha a mesma velocidade de queda das despesas.

Assim, o comportamento do IGP-M ajuda o agricultor a entender não apenas o custo de produzir, mas também o ambiente econômico em que ele está inserido — um fator cada vez mais relevante para decisões de investimento, financiamento e planejamento da safra.

Fonte: Pensar Agro

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Agro atinge recorde histórico e supera R$ 106 bilhões em exportações

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O agronegócio de Minas Gerais encerrou 2025 com o maior valor exportado desde o início da série histórica, em 1997. As vendas externas do setor somaram R$ 106,9 bilhões, crescimento de 15,5% em relação ao ano anterior, consolidando o agro como o principal motor da balança comercial mineira, responsável por 43,5% de todas as exportações do estado.

O avanço em receita ocorreu mesmo com queda de cerca de 5% no volume embarcado, que totalizou 16,2 milhões de toneladas. O resultado evidencia a capacidade do agro mineiro de gerar valor, sustentado por preços internacionais mais firmes, produtos diferenciados e maior diversificação de mercados, superando inclusive a mineração em faturamento externo.

Segundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Minas foi o estado que apresentou maior crescimento nas exportações agropecuárias entre os principais exportadores do país, alcançando a terceira posição no ranking nacional. O desempenho reforça o papel estratégico do setor rural para a economia estadual e para o saldo comercial brasileiro.

A pauta exportadora mineira atingiu 650 produtos enviados a 178 países, com destaque para a China, que absorveu cerca de R$ 24,8 bilhões em compras, seguida por Estados Unidos (R$ 10,3 bilhões), Alemanha (R$ 9,7 bilhões) e Itália e Japão, com aproximadamente R$ 5,4 bilhões cada. Além das commodities tradicionais, o estado avançou em nichos de maior valor agregado, ampliando a presença de produtos com identidade regional.

O café permaneceu como o grande pilar das exportações. Em 2025, o setor respondeu por R$ 61,6 bilhões, o equivalente a 57,2% de toda a receita do agronegócio mineiro. O embarque de 27,4 milhões de sacas, aliado à redução dos estoques globais e à valorização dos cafés especiais, sustentou o recorde histórico.

O complexo soja (grão, farelo e óleo) registrou leve retração, com exportações de R$ 10,8 bilhões e volume de 4,7 milhões de toneladas, mas manteve relevância na pauta estadual. Já o complexo sucroalcooleiro, impactado pela volatilidade dos preços internacionais, também somou cerca de R$ 10,8 bilhões, apesar da queda de 20% em relação ao ano anterior.

O segmento de carnes teve desempenho expressivo e bateu recorde, com R$ 10 bilhões em receita e 513 mil toneladas embarcadas, consolidando a presença internacional das proteínas animais produzidas em Minas Gerais.

Produtos típicos do estado também ganharam espaço no mercado global. As exportações de queijos alcançaram cerca de R$ 54 milhões, enquanto o doce de leite surpreendeu ao movimentar aproximadamente R$ 4,5 bilhões, reforçando a liderança mineira nesses segmentos e a valorização de produtos ligados à tradição e à identidade regional.

Para o produtor rural, os números indicam que Minas Gerais avança não apenas em escala, mas em qualidade, diversificação e valor agregado, reposicionando sua imagem no comércio internacional e ampliando oportunidades em mercados mais exigentes.

Fonte: Pensar Agro

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